sábado, 5 de março de 2011

preso e imóvel




De volta a casa...

Essa que um dia era de cor...

Hoje está num cinza profundo...

Um jardim onde trabalhas curvado...

Onde as palavras são nulas...

Já não se ouve aqueles sorrisos,

Na não se vê aqueles olhares cheios de brilhos que me vem chegar...

Não se sente aquele abraço de saudade...

És alma que sem importância vive numa neblina constante...

Em teu redor sofrem,

Choram, pedem para voltares a viver...

Para não te deixares levar...

Para não caíres curvado no chão...

Lutando com todas essas forças...

Que se vão em vão...

Paralisas o teu tempo...

Deixando avançando sozinhas aqueles que te pegam pela mão...

Olhar seco.

Gestos imóveis.

Tempo que passa e vais ficando...

Parado...

Longe... vais ficando distante...

Sem te poderem arrastar mais...

E tu ali parado nem vês em teu redor...

Um amor que já não me das...

Um motivo que já nem vês...

Não caminhas...

Preso num presente que vai passando...

Passado que me faz chorar...

Saudades de não te poder mudar...

Fazer delirar com as minhas palavras...

Sorrir com os meus gestos...

Vou entrando por um escuro de uma sala...

Vejo-a perdida no sofá...

Adormecida...

A tua espera...

A espera de quem eras antes...

De um carinho de uma compreensão tua...

Entras e sem ver...

Um olhar molhado por ti...

Sentas-te na mesa vazia...

E ficas...

Imóvel...


אคષค

4 comentários:

  1. Não consigo resistir e choro sempre...
    Retrato mais bem pintado...
    Nenhum grande pintor jamais conseguiria...Amo-te, lembra sempre disso!!!

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  2. não sou pintor...
    não sou escritor...
    apenas mostro o que sinto...
    o que se está a passar entre nossos corações...
    entre as nossas vidas...
    dentro dessa casa que perdeu a cor...

    beijo adoro-te

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  3. Para mim és muito mais que um pintor ou escritor...
    És o prolongamento da minha vida e do meu ser...
    És o fruto do meu ventre e de um amor muito grande,onde a casa pode ter perdido a cor, mas os seus habitantes não perderam o calor, dos sentimentos que pairam nos seus corações!

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  4. queria pintar de novo essa casa...
    queria ver nos de novo num fim de tarde de verão
    jantando a luz das estrelas
    ao som do silencio da noite do campo
    com as brasas a estalar
    o mano a dizer asneiras
    e o pai desmanchando se todo a rir
    relembrando maluquices
    ouvir de novo ele a cantar para mim uma viagem inteira...
    contagiando todos e cantando todos durante todo aquele tempo todo numa viagem de domingo a tarde...

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