segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Alucinação


Olho me ao espelho, não sei quem sou…
Sinto que aquilo que era,

Desapareceu migalhas de mim,
Lavo minha face adormecida,

Expressão vazia, sem sinal de vida…
Pinto meus olhos, que já sem brilho,

Se fecham para chorar lágrimas negras de dor…
Dou um tom aos meus lábios que desmaiam,

Serrados sem se manifestarem…
Penteio os meus cabelos que perdem a força da rebeldia,

Tornando-se mansinhos e educados…
Minhas mãos, geladas, movimentam-se devagar,

Movimentos leves e frios…
Respiro no silêncio,

Um respirar calmo mas profundo

E esta dor, no meu peito, que me persegue,

Me faz cair, sem ter forças para me levantar…
Fico no chão, caída, vendo gente numa sala vazia,

Onde ninguém me faz recuperar…
O ar frio que envolve meu corpo, congela-me,

Paralisando meus movimentos…
Aquele vento gelado que quase me faz tombar!
Aquela chuva que cai sobre a minha cabeça,

Molhando o meu rosto,

Que já salgado se fecha,

Engolido pela imensidão desta solidão…
No meio do vazio, grito em silêncio…
Grito porque tu não estás!
Raiva que sai de mim por ser assim...
Danço contigo no meio da chuva

Que não deixa de cair,

Musica que não existe!
Gestos que não passam de um sonho,

De uma alucinação, do gelo que me corre o corpo…
Vejo-me dançando, num espaço vazio,

Onde se encontra agora todo o mundo,

Vejo-me nos teus braços,

Olhando para teu olhar,

Que se encontram agora fixo noutro lugar…
Acordo, estou parada, olhando para um sonho,

Construindo uma história sem nunca passar do irreal…
Dou comigo chorando por um sonho...
Pego nas minhas coisas e parto,

Por um caminho sem fim e desconhecido,

Olhando para a frente, passo a passo,

Vou embora sem olhar para trás,

Mas relembrando, sempre, aquela dança contigo...


אคષค

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